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riscos_e_rabiscos

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Amigas

                  

Já muitas águas passaram debaixo da ponte, e a sucessão dos dias trouxe nuances de alegria e tristeza.

Crescemos, constituímos uma família, seguimos a nossa vida mas a amizade resiste a tudo e a todos.

 

Também tenho a sensação que foi ontem que estive contigo. Que foi ontem que fomos beber café e que falámos do que nos ia no coração. Continuamos as mesmas. A risota, a cumplicidade, a partilha, as ideias… parecemos aquelas miúdas de há uns tempos atrás. Sem preocupações de gente crescida.

 

Adorei estar contigo de novo. Reviver os nossos momentos bons. Só faltou mesmo uma noitada na conversa ou a beber o nosso Martini Metz. Mas isto ficará para outra vez.

 

Deve haver poucas amizades que resistam ao passar do tempo e da vida, como a nossa tem resistido. É a isto que se chama amizade verdadeira, uma amizade igual ao amor entre duas irmãs. Fizeste-me bem e fazes-me falta. Tu sabes disso.

 

Volta mais vezes, mesmo que seja de surpresa, com um telefonema a meio da manhã.

 

Circunstâncias

 

Revi um colega meu. Nas piores circunstâncias, é certo, e onde não esperava. Estivemos os dois a dar aulas na mesma escola ainda no século passado. Ele a fazer estágio e eu a dar aulas de português e inglês.

Fazíamos parte de um grupo bem giro e animado, até um dueto de meninas parvas, começarem a fazer trafulhices e os interesses amorosos começarem a interferir. Nada que me envolvesse a mim ou a ele. Para mim só sobrou uma acta de 20 páginas, uma vez que era a única que tinha “ficado de fora” e, por isso, era imparcial.

 

Foi graças a ele que aprendi a dançar as “danças latinas” e era ele que nos incentivava a não desistir após o fracasso de alguns passos mais difíceis. Ele s o Z.P. e o J., os seus colegas de estágio.

Foram tempos óptimos e de muita cumplicidade e amizade entre todos. Foi uma no espectacular.

 

Hoje voltei a vê-lo em circunstâncias trágicas. Naquela notícia da escola da Moita, em que um aluno se sentiu mal e o INEM demorou meia hora ate chegar. Infelizmente, tarde demais…

 

A Arte da Aparência

 

 

Há pessoas que não aparentam a sua idade real. Há aquelas pessoas que, pela sua maneira de estar, de se arranjar ou de encarar a vida, parecem mais velhas, e outras que parecem mais novas. Às vezes a idade pode ser mesmo uma questão de mentalidade. Não importa a idade que realmente temos mas a maneira com vivemos a nossa vida, como encaramos as dificuldades com que nos deparamos.

 

Faço parte daquele grupo de pessoas cuja aparência não corresponde à verdadeira idade.

Quando era miúda, era bastante alta e desenvolvida e passava por ser mais velha. Depois passou a ser ao contrário. Comecei a parecer mais nova fisicamente do que a minha idade real. De tal maneira que sempre que digo a minha idade, as pessoas não acreditam. Acabo por não a revelar muitas vezes.

 

Hoje, em amena cavaqueira com as minhas colegas, senti-me velha 8não o sendo) pela primeira vez na vida. Elas começaram a falar da minha colega do ano passado que eu vim ocupar o lugar. Foi a maneira como a descreveram. Até aposto que a trombuda (prof. de música) também se sentiu assim mesmo sendo mais nova que eu. Elas não o fizeram por mal. Simplesmente acho que gostaram dela enquanto pessoa, embora como professora, segundo consta, deixou um bocadinho a desejar. Eu não sei.

Fui dar aula a pensar naquilo mas depois abstraí-me.

 

Quando regressei a casa, encontrei uma colega minha da universidade. Ela morava ao pé de mim e éramos da mesma turma. Embora nunca tenhamos sido muito “íntimas” pois ela fazia parte de um grupinho disgusting. Todos as achavam pedantes, nariz no ar e com a mania. Eu como sempre defendi a diplomacia entre pessoas, dei-me sempre bem com todos, inclusivamente com aqueles com “feitios terríveis”.

Trocámos informação sobre os outros nossos colegas e contámos o que andávamos a fazer. Uma conversa banal. Foi aí que ela me disse que já me tinha visto mais vezes no autocarro. Mas eu sou tão despistada que entro e nunca vejo ninguém. Disse-me que eu estava igualzinha, na mesma. Só não se lembrava do meu nome… Que estupidez! Não compreendo como é que uma pessoa que convive diariamente connosco 4 anos, que vem connosco para casa e que nos encontra no café, se esquece do nosso nome! Ok, se calhar sou eu que fixo os nomes muito rapidamente por defeito profissional.

Bom, isto para dizer que o sentimento de estar velha que senti durante a tarde, se desvaneceu completamente naquela altura. Pois quando uma pessoa que não vemos há 10 anos nos diz que estamos na mesma, significa que não envelhecemos ou modificámos muito.

 

Tenho plena consciência que se tivesse dinheiro para andar sempre metida no cabeleireiro, a fazer altos penteados e a fazer madeixas e sei lá mais o quê, e a fazer altos tratamentos de cosmética, parecia uma menina de 20 anos.

Mas fazer o quê? O dinheiro não estica e o euromilhões não há meio de sair…!